Parotidite: inflamação da glândula parótida

A parotidite é uma inflamação que acomete a glândula parótida, uma das três principais glândulas salivares localizadas na face.
Essa glândula fica posicionada logo à frente e abaixo do ouvido, e é responsável pela produção de grande parte da saliva que mantém a boca úmida e auxilia na digestão dos alimentos.

inflamação na parótida

Quando a parótida inflama, o paciente percebe inchaço doloroso na região lateral da face, muitas vezes acompanhado de febre, dificuldade para mastigar ou abrir a boca.

A parotidite pode ter causas virais, bacterianas ou obstrutivas, e embora muitas vezes seja benigna e autolimitada, em alguns casos requer tratamento médico específico.

O que é a glândula parótida e qual sua função

As glândulas salivares principais são três pares: parótidas, submandibulares e sublinguais.
A parótida é a maior delas, e sua principal função é produzir saliva rica em enzimas digestivas, como a amilase, que ajuda a iniciar a digestão dos carboidratos.

A saliva também:

Lubrifica a boca e a garganta;

Facilita a fala e a deglutição;

Ajuda na limpeza natural dos dentes;

E contém anticorpos que protegem contra infecções.

Quando a glândula é afetada por uma infecção ou obstrução, a produção de saliva diminui e o tecido glandular inflama — caracterizando a parotidite.

Principais causas de parotidite

A parotidite pode ter diferentes origens. As mais comuns são:

  1. Parotidite viral (caxumba)

A caxumba é a causa mais conhecida de parotidite viral, causada pelo vírus da família Paramyxoviridae.
Ela é transmitida por gotículas de saliva e é mais comum em crianças e adolescentes não vacinados.

Sintomas típicos:

Inchaço em uma ou ambas as faces (região das parótidas);

Dor ao mastigar ou engolir;

Febre;

Mal-estar e dor de cabeça;

Diminuição da produção de saliva.

Em homens, a caxumba pode causar orquite (inflamação dos testículos), e em casos mais raros, meningite viral.
A vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola – MMR) é a forma mais eficaz de prevenção.

  1. Parotidite bacteriana

A parotidite também pode ser causada por bactérias, especialmente Staphylococcus aureus e Streptococcus.
É mais comum em idosos, recém-operados ou pessoas com pouca hidratação e baixa produção de saliva.

Sintomas típicos:

Inchaço súbito e doloroso na face;

Pele avermelhada e quente sobre a região;

Febre alta;

Presença de pus no ducto salivar (que drena para dentro da boca);

Mau gosto na boca.

O tratamento geralmente requer antibióticos, hidratação adequada e, em alguns casos, drenagem do abscesso.

  1. Parotidite obstrutiva (por cálculo salivar)

Em alguns casos, a inflamação ocorre devido à obstrução do ducto salivar — o canal que leva a saliva da glândula até a boca.
Essa obstrução pode ser causada por um cálculo salivar (sialólito), semelhante a uma “pedrinha” formada por sais minerais.

Sintomas típicos:

Inchaço e dor ao iniciar a alimentação (quando há estímulo para salivar);

Alívio parcial após algum tempo;

Sensação de boca seca;

Em casos persistentes, infecção secundária.

O tratamento pode envolver massagem suave, hidratação, uso de medicamentos que estimulam a salivação e, se necessário, remoção do cálculo por procedimento médico.

  1. Outras causas menos comuns

Doenças autoimunes, como a Síndrome de Sjögren, que causa inflamação crônica das glândulas salivares;

HIV, que pode provocar aumento das parótidas;

Tumores benignos ou malignos das glândulas salivares;

Traumas locais ou uso de certos medicamentos que reduzem a produção de saliva.

Sintomas da parotidite

Os sintomas variam conforme a causa, mas geralmente incluem:

Inchaço doloroso na lateral da face, abaixo do ouvido;

Sensibilidade ao toque;

Febre e mal-estar;

Dificuldade para abrir a boca (trismo);

Dor ao mastigar ou engolir;

Secreção purulenta na boca (em casos bacterianos).

Em situações mais graves, o paciente pode apresentar inchaço bilateral ou sinais de infecção disseminada.

Diagnóstico

O diagnóstico da parotidite é feito principalmente por exame clínico. O médico (geralmente um otorrinolaringologista ou clínico geral) avalia:

A localização e consistência do inchaço;

Se há saída de secreção pelo ducto salivar;

Temperatura local e presença de dor.

Para confirmar a causa, podem ser solicitados:

Ultrassonografia de glândulas salivares (para detectar cálculos ou abscessos);

Tomografia em casos complexos;

Exames de sangue (leucócitos e marcadores de infecção);

Cultura da secreção (para identificar a bactéria).

Tratamento da parotidite

O tratamento depende da causa da inflamação:

🦠 Parotidite viral

Repouso, hidratação e analgésicos (paracetamol, ibuprofeno);

Compressas mornas na região;

Alimentação leve e macia;

Evitar alimentos ácidos (que aumentam a dor ao salivar).

Não há necessidade de antibióticos — a infecção viral é autolimitada e melhora em cerca de 7 a 10 dias.

🧫 Parotidite bacteriana

Uso de antibióticos orais ou intravenosos, conforme orientação médica;

Hidratação intensa para estimular o fluxo salivar;

Massagem suave na glândula;

Em casos graves, drenagem cirúrgica do abscesso.

💧 Parotidite obstrutiva

Estimular a salivação (chicletes sem açúcar, limão ou balas cítricas, se o médico permitir);

Massagens na face;

Boa hidratação;

Remoção do cálculo, se necessário.

Complicações possíveis

Se não for tratada adequadamente, a parotidite pode causar:

Abscesso (acúmulo de pus na glândula);

Infecção disseminada;

Destruição parcial da glândula salivar;

Fístulas salivares (saída anormal de saliva pela pele);

Em casos repetitivos, fibrose e redução da função glandular.

Por isso, é importante buscar atendimento médico assim que os sintomas surgirem.

Prevenção

Algumas medidas simples ajudam a prevenir a parotidite:

Manter boa hidratação diária;

Higiene bucal adequada;

Vacinação em dia (especialmente contra a caxumba);

Evitar longos períodos sem alimentação (que reduzem a salivação);

Tratar infecções bucais ou dentárias precocemente;

Evitar o tabagismo, que favorece inflamações salivares.

Mantenha-se saudável e seguro. Para qualquer problema, consulte o Dr. Aglailton Menezes

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