O câncer de parótida é um tipo raro de tumor que afeta a glândula parótida, uma das principais glândulas salivares localizadas na região das bochechas, logo à frente das orelhas. Embora a maioria dos tumores de parótida seja benigna, uma pequena parcela pode ser maligna, exigindo diagnóstico e tratamento rápidos para garantir um bom prognóstico.

Neste artigo, você vai entender o que é o câncer de parótida, quais são seus sintomas, causas, formas de diagnóstico e tratamento, além de dicas sobre prevenção e acompanhamento médico.
O que é a glândula parótida e qual sua função?
A glândula parótida é a maior das glândulas salivares humanas e tem a função de produzir e liberar saliva, fundamental para a digestão e para manter a boca lubrificada e protegida contra infecções.
Cada pessoa possui duas glândulas parótidas — uma de cada lado do rosto — e, quando ocorrem alterações nelas, é comum perceber inchaço ou caroço na região das bochechas ou próximo à mandíbula.
O que é o câncer de parótida?
O câncer de parótida ocorre quando células anormais começam a se multiplicar de forma descontrolada dentro da glândula.
Essas células podem originar diferentes tipos histológicos de tumores, como o carcinoma mucoepidermoide e o carcinoma adenóide cístico, entre outros.
Apesar de raro — representando menos de 10% dos tumores de cabeça e pescoço — o câncer de parótida merece atenção por poder invadir tecidos vizinhos e, em alguns casos, espalhar-se (metastatizar) para outros órgãos.
Sintomas do câncer de parótida
Os sintomas iniciais podem ser sutis e facilmente confundidos com inflamações comuns das glândulas salivares. Porém, à medida que o tumor cresce, os sinais tornam-se mais evidentes.
Os principais sintomas incluem:
Caroço ou inchaço na bochecha, próximo ao ângulo da mandíbula;
Dor ou desconforto local persistente;
Rigidez na pele sobre a região afetada;
Dormência, formigamento ou paralisia parcial no rosto (por compressão do nervo facial);
Assimetria facial, especialmente ao sorrir;
Dificuldade para abrir a boca completamente;
Presença de caroços no pescoço, indicativos de possível disseminação linfática.
Quando há comprometimento do nervo facial, o quadro costuma ser mais sugestivo de tumor maligno, pois os tumores benignos raramente causam paralisia.
Causas e fatores de risco
As causas exatas do câncer de parótida ainda não são completamente conhecidas, mas alguns fatores de risco aumentam a probabilidade de desenvolvimento:
Exposição prolongada à radiação, especialmente em tratamentos de cabeça e pescoço;
Tabagismo e consumo excessivo de álcool;
Infecção por vírus Epstein-Barr (associado a certos tipos de câncer de glândulas salivares);
Contato prolongado com substâncias químicas, como poeiras de madeira, níquel ou sílica;
Idade avançada — a maioria dos casos ocorre em pessoas com mais de 50 anos.
Ter histórico de tumores benignos de parótida também pode aumentar o risco de transformação maligna ao longo do tempo.
Diagnóstico precoce: o papel essencial do especialista
O diagnóstico precoce é o fator mais importante para o sucesso do tratamento.
Ao notar qualquer inchaço, caroço duro ou assimetria no rosto, o ideal é procurar um otorrinolaringologista ou cirurgião de cabeça e pescoço.
Os exames mais comuns incluem:
Avaliação clínica detalhada, observando o tamanho, consistência e mobilidade da lesão;
Ultrassonografia de partes moles, para diferenciar tumores sólidos de cistos;
Tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM), que mostram a extensão e relação do tumor com estruturas vizinhas;
Punção aspirativa por agulha fina (PAAF), exame minimamente invasivo que permite análise citológica;
Em casos específicos, biópsia cirúrgica, para confirmação histológica definitiva.
O diagnóstico preciso é essencial para definir o estágio da doença e o plano terapêutico mais adequado.
Tratamento do câncer de parótida
O tratamento depende do tipo de tumor, tamanho, estágio e presença de metástases.
As principais opções incluem:
🔹 Cirurgia
A parotidectomia (remoção total ou parcial da glândula) é o tratamento mais comum e eficaz.
Durante o procedimento, o cirurgião procura preservar o nervo facial, sempre que possível, para evitar sequelas motoras.
Nos casos avançados, pode ser necessário remover linfonodos cervicais comprometidos.
🔹 Radioterapia
A radioterapia é indicada como tratamento complementar após a cirurgia, especialmente quando há risco de recidiva local ou margens cirúrgicas próximas.
Em casos inoperáveis, pode ser utilizada isoladamente para reduzir o tamanho do tumor e aliviar sintomas.
🔹 Quimioterapia
Menos utilizada em tumores de parótida, a quimioterapia é reservada para casos metastáticos ou recorrentes, podendo ser combinada à radioterapia.
Cuidados pós-tratamento e reabilitação
Após o tratamento, o paciente deve ter acompanhamento regular para monitorar possíveis recidivas e avaliar a função do nervo facial.
Outros cuidados importantes incluem:
Fisioterapia facial, para reabilitação dos músculos;
Evitar exposição solar excessiva durante a cicatrização;
Manter hidratação e higiene bucal adequadas;
Realizar consultas periódicas com o cirurgião e o oncologista.
A maioria dos pacientes tratados precocemente apresenta ótimos resultados funcionais e estéticos.
Mantenha-se saudável e seguro. Para qualquer problema, consulte o Dr. Aglailton Menezes